quinta-feira, 11 de maio de 2023

Triste, Louca ou Má - Francisco, El Hombre

Gênero: Latina, MPB, Rock
Artista: Francisco, El Hombre
Álbum: Soltasbruxa
Ano: 2016


Francisco, El Hombre é o tipo de banda que possui uma forte pegada político-social, além de misturar vários ritmos da América Latina em suas composições, a "Triste, Louca ou Má" é sexta música do álbum Soltasbruxa e foi indicada ao Grammy Latino em 2017 por melhor canção em língua portuguesa.

Letra:

Triste, louca ou má
Será qualificada ela
Quem recusar
Seguir receita tal

A receita cultural
Do marido, da família
Cuida, cuida da rotina

Só mesmo rejeita
Bem conhecida receita
Quem, não sem dores
Aceita que tudo deve mudar

Que um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar

Um homem não te define
Sua casa não te define
Sua carne não te define
Você é seu próprio lar

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Eu não me vejo na palavra
Fêmea: Alvo de caça
Conformada vítima

Prefiro queimar o mapa
Traçar de novo a estrada
Ver cores nas cinzas
E a vida reinventar

E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar

E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Ela desatinou
Desatou nós
Vai viver só

Ela desatinou (e um homem não me define)
Desatou nós (minha casa não me define)
Vai viver só (minha carne não me define)
Eu sou meu próprio lar

Ela desatinou (e um homem não me define)
Desatou nós (minha casa não me define)
Vai viver (minha carne não me define)
Eu sou meu próprio lar


Análise:

Triste, Louca ou Má é o tipo de música que trás a luz o questionamento a respeito do papel das mulheres na sociedade. Logo nos primeiros versos o eu-lírico evoca adjetivos que muitas mulheres possam ter ouvido ao longo de suas vidas por simplesmente recusar determinadas configurações de relacionamento.

Pois desde novas, meninas são educadas a seguirem uma receita cultural de crescer, constituir família e viver sob subserviência ao marido e cuidar da rotina da casa.

E como o próprio eu-lírico diz, quem só rejeita essa bem conhecida receita, são as mulheres que sabem das dores dessa pressão e que rejeitam perpetuar tal configurações e vão em busca de emancipação.

O eu-lírico então demonstra as mulheres que elas não precisam de um homem para definir quem elas são, a sua casa (ou os que fazem parte do seu convívio familiar) também não as definem, a carne (corpo) ela também não definem as mulheres, pois as mesmas não são objetos de desejo e seus corpos não tem que seguir o padrão. Pois, você mulher, é o seu próprio lar.

"Ela desatinou" é o reforço daquele pensamento que a pessoa perdeu a juízo por escolher uma vida diferente daquilo que esperam das mesmas e por não seguir o fluxo faz com que ela desatou os nós e vai viver uma vida por e somente para ela.

O eu-lírico ao não ser ver dentro da palavra "fêmea", não se vê enquanto alvo de caça, aquela que tem que ser cortejada, que precisa de um parceiro e viverá junto ao mesmo como uma vítima conformada aos papéis de gêneros a ela impostos.

Ao invés disso, ela prefere queimar o mapa de tudo que lhe foi ensinado e traçar um novo destino onde das cinzas do antigo mapa a vida tenha mais cor (vida) e ter a possibilidade de se reinventar pois tudo que lhe foi ensinado de como deve ser, se comportar, vestir e falar, já não são mais coisas que lhe prendem e ela entende que é livre para seguir o que ela desejar.

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