sábado, 13 de maio de 2023

Suçuarana - Pietá

Gênero: MPB
Artista: Pietá
Álbum: Santo Sossego
Ano: 2019


Suçuarana também conhecida como onça-parda ou puma, é a segunda faixa do álbum Santo Sossego da banda Pietá composta por Frederico Demarca, Rafael Lorga e Juliana Linhares.

Letra:

Suçuarana
Foi quem me fez aprender
A valentia
Quanto é matar ou viver
Andar na terra
Andar, lutar e seguir
Eu sei que é ela
Quem toma parte de mim
Eu viro fera
Só me provoque pra ver
Eu viro fera
Enfio a unha em você
Sou arredia
Eu não te dou permissão
A Lua cheia
Sangra de dentro do meu coração
 
Suçuarana
Derrubo as armas de vez
Nenhuma filha
Terá mais nada a temer
Por essa selva
Nós vamos ser mais de mil
Fêmeas felinas
Enfurecidas no cio
Eu viro fera
Eu não vou mais recuar
Eu viro fera
Eu deixo o bicho pegar
Essa alegria
É minha libertação
A alforria
Assino com minha mão
 
Oh, pátria amada
Juro pelas nossas mães
Juro por quem mais vier
Que não desculpo nada
Nem canso de ser
Mulher
 
Suçuarana
Foi quem me fez aprender
A valentia
Quanto é matar ou viver
Andar na terra
Andar, lutar e seguir
Eu sei que é ela
Quem toma parte de mim
Eu viro fera
Só me provoque pra ver
Eu viro fera
Enfio a unha em você
Sou arredia
Eu não te dou permissão
A Lua cheia
Sangra de dentro do meu coração


Análise:

Suçuarana é mais uma excelente entre várias composições que representam as mulheres na sociedade. Pietá em sua letra evoca a força das mulheres ao trazer a simbologia da Suçuarana, considerada o segundo maior felino do Brasil e uma caçadora voraz de hábitos noturnos, elas também passam a maior parte do seu tempo solitárias, exceto durante o período de acasalamento. Sendo considerada o predador mais eficiente e flexível (devido a sua habilidade em subir em árvores).

A canção pode ser divida em duas partes, na primeira parte, representa a busca da emancipação e autonomia feminina, através do seu ímpeto a suçuarana ensina as mulheres a valentia entre a escolha do “matar ou viver”, podendo ser considerada a luta da mulher por sua independência (ou também o fato de homens comumente, chamarem as mulheres com personalidade forte de onça), pois é necessário ter essa “valentia” para enfrentar uma sociedade patriarcal, bem como saber a hora de atacar. Tendo a licença poética da lua cheia para trazer o misticismo muito presente dentro da cultura folclórica, além do fato, da suçuarana ser um predador de hábitos predominantemente noturnos. Formando assim o símbolo “mulher-suçuarana”, a mulher independente que luta pela sua sobrevivência como uma fera dotada de autoaceitação e liberdade.

A segunda parte traz a força predatória, para a derrubada do patriarcado. Assim como as armas tem o poder de oprimir e assustar, o patriarcado age de forma similar, disseminando o medo as mulheres enquanto as oprime. Trazendo a analogia a queda do patriarcado e com essa queda “nenhuma filha”, ou seja, nenhuma outra mulher que virá depois não terá o que temer.

A sociedade sendo comparada a uma selva, é nesse espaço que as mulheres ocuparam seus espaços e independência, tornando-se mais de mil. Fêmeas felinas, enfurecidas no cio, trazendo nesse trecho o desejo/necessidade de ocupar esses lugares e se libertarem das amarras sociais. Trazendo também a força da coletividade feminina, pois através dos seus atos, vem a alegria da libertação, a alforria de todas.

Encerrando com o juramento de que a busca/luta por emancipação seguirá firme, que mulheres não devem perdoar as violências estruturais que as rodeiam no país, que ao vender a ideia de “Pátria amada” esconde as diferentes violências vividas por grupos vilipendiados.

0 comentários:

Postar um comentário