Artista: Lana Del Rey
Ano: 2023
Número de Faixas: 16
Did you Know That There's a Tunnel Under Ocean Blvd é o oitavo álbum de estúdio da Cantora Estadunidense Lana Del Rey, lançando em 24 de Março de 2023, o álbum contou com três singles, a faixa título foi lançada como single em dezembro de 2022, em 14 de Fevereiro de 2023 o segundo single "A&W" foi lançado e o último single "The Grants" lançado em 14 de Março de 2023. Assim como "Blue Benisters (2021)", esse álbum traz uma Lana mais contemplativa sobre as suas experiências vivadas e sem medo de demonstrá-las através de suas composições. Cada música nos traz momentos e experiências que marcaram a Lana, será que podemos considerar esse o seu álbum mais íntimo? Confia a seguir um track-by-track do álbum.
1. The Grants
A faixa que abre o álbum, The Grants, assim como o título sugeri, é uma homenagem a sua família, em um dos seus momentos de reflexão, o pastor da Lana lhe disse que quando você deixa o mundo tudo o que você são suas memórias e ela levará as memórias dela relacionadas a eles com ela, desde o nascimento de sua sobrinha ao último sorriso de sua avó. a faixa também faz referência a Rocky Mountain High do Jhon Denvers, que assim como Lana perdeu alguém importante para ele, mas o manteve nas memórias. The Grants, nos leva também a contemplar nossas próprias memórias junto aqueles que amamos.
2. Did You Know That There's a Tunnel Under Ocean Blvd
A faixa título ela também trabalha com essas questões de memória e legado. Pois assim como o título, Lana abre a canção perguntando se sabemos que existe um túnel debaixo da Avenida Oceania, Ela descreve o lugar e de alguma forma ela se sente como aquele lugar, eis que chega a grande questão: "Quando será a minha vez?" nessa faixa Lana meio que faz um apelo para que assim como o túnel da Avenida Oceania ela não seja esquecida criando uma ligação com a música "Don't Forget Me" do Harry Nilson onde nos minutos 02:05 a sua voz se torna emocional ao dizer "don't forget me" fazendo com que a mesma queira ter um amigo igual a ele.
3. Sweet
Essa é uma das faixas que se poucos sabem a respeito da Lana é apenas uma canção sobre relacionamento, mas ela possui muito mais nuances, já que muitas delas foram inspiradas em viagens que a Lana realizou no interior dos EUA e nessas viagens com as pessoas que lhe são importante ela aprendeu fortes lições como escrever um bilhete para o alguém que a magoou, mas sem enviar para não ter que falar diretamente com a pessoa, pois é o melhor método de tirar certos sentimentos do peito. Lana não é o tipo de mulher simplória, ela tem algo mais. Ela então diz a pessoa que essa música é direcionada que se ele quiser encontrá-la ele a achará no interior em sua casa no condado de Genesee, onde já foi o lar deles.
4. A&W
Essa é uma música divida em duas partes, na primeira a Lana começa sua narrativa através do seu tempo de criança, já que a mesma não fazia uma estrelinha desde os 9 (podendo também ser a questão de perda de inocência?) até a sua vida adulta, onde a mesma acabou desenvolvendo um comportamento sexual aditivo, fazendo com que o título da música seja uma abreviação para "American Whore (Prostituta Americana). Na segunda parte de A&W, Lana traz novamente uma figura que já apareceu em suas composições "Jimmy", essa figura enigmática que só a procurava quando ele queria ficar chapado. A construção da segunda parte também referência a certas cantigas que crianças cantavam enquanto faziam jogo de mão, tipo o "Tricilomelo" aqui no Brasil.
5. Judah Smith Interlude
Apesar das controvérsias que esse interlúdio traz por se tratar do pregador estadunidense Judah Smith e seus posicionamentos danosos, o interlúdio tem o quê de uma ironia (ou não? já que mais para frente a mesma irá falar sobre essa visão de ironia em suas músicas) ao vir a seguir de A&W, porém o motivo dessa pessoa em questão fazer parte do interlúdio vai do íntimo da Lana e o que ela estava passando naquele momento, já que a mesma se conectou mais ao seu lado religioso.
6. Candy Necklace
A música pode ser interpretada como Lana falando de sua obsessão por colar de doces (nunca vi um na minha vida, mas que de alguma forma era popular), mas acredito que essa seja uma metáfora para ela dizer o quanto ela estava obcecada pelo relacionamento que ela esta em questão, mas que com o passar do tempo, ela então percebeu que esse relacionamento que ela tanto prezava era a razão pela qual a estava se fazendo se sentir mal.
7. Jon Batiste Interlude
Jon Batiste com toda certeza é um artista de mão cheia, possui uma sonoridade, uma paixão, e nesse interlúdio que no final pode ser considerado uma extensão não oficial de Candy Necklace, nos faz viajar para um estado mental divino ao som do seu piano tendo como charme os diálogos que decorrem ao longo do interlúdio.
8. Kintsugi
A partir daqui as coisas no álbum começam a ficar mais emocional do que já era, Kintsugi é o termo japonês para representar tanto a arte de reparar cerâmicas com ouro, mas também para a filosofia de aceitar e valorizar suas imperfeições. Lana aqui então, faz uso da filosofia de Kintsugi em sua forma mais pura ao procurar aceitar as suas imperfeições, falhas e perdas para que a luz possa novamente entrar em sua vida.
9. Fingertips
Se Lana nos deixa emocionalmente abalados com Kintsugi, é em fingertips que as coisas desandam de vez (no bom sentido), já que em fingertips ela retrata suas angústias, retratando experiências vivadas no seu passado, presente e futuro. Essa núsica é íntima em todas as suas formas, já que podemos através dela experienciar os sentimentos da Lana sobre a sua família em destaque ao seu tio Dave Grant, aquele que lhe ensinou a tocar violão e foi o ponto de partida para que a mesma se tornasse a artista que é hoje.
10. Paris, Texas
Essa música faz jogos de palavras já que algumas cidades nos EUA tem nome de cidades bastante conhecidas na Europa. Paris, Texas para mim é também uma interpolação entre passado e presente (se é que posso chamar assim, já que aconteceram em um passado não tão distante), como havia mencionado antes, Lana fez uma excursão pelo interior dos EUA, sendo essas viagens um escape para a mesma. Digo que também possui elementos do passado, quando ela fala de sua viagem para a Espanha, onde a mesma foi enviada para um internato durante sua adolescência. Então, ela reflete sobre essas experiências e que ela se sente bem quando está em casa.
11. Grandfather please stands on the shoulders of my father while he's deep-sea fishing
Primeiramente gostaria de destacar que eu amo os memes envolvendo o nome dessa faixa. Conhecendo um pouco da bagagem da Lana, é possível dizer que ela se inspirou em escritores cujas obras possuem títulos longos como o mesmo da faixa. Nessa música, Lana fala um pouco sobre as críticas que a mesma sofria durante o início de sua carreira e a forma como a indústria a tratava. E acredito que no momento que ela invoca pela proteção do seu avó direcionada ao seu pai, seja no sentido de desejar que o seu pai, que está se preparando para também entrar na industrial musical não passe pelo mesmo sofrimento que a mesma passou.
12. Let The Light In
Construída sob belos arranjos instrumentais, Let the light in é o tipo de música que pode nos enganar se a escutarmos desatentos, pois a primeira vista aparenta ser uma música de amor, mas será? dentro a sua construção vale ressaltar o início, se esse é um relacionamento convencional, porque o tempo que os dois passam juntos são em momentos tão pontuais? Então, para mim, essa faixa ela vai retratar uma monotonia em um relacionamento que caiu na rotina e que não era para acontecer, já que fica subentendido que esse talvez possa ser um relacionamento extraconjugal.
13. Margaret
Margaret, é uma composição em homenagem ao seu produtor e amigo Jack Antanoff, onde Lana retrata a história de como Jack conheceu sua noiva Margaret, com participação do próprio Antanoff sob o nome da sua banda: Bleachers. Lana escreveu essa canção como dito antes como uma forma de homenagear seu amigo ao mesmo tempo que ela foi construída de uma forma que também serve como uma música que possa ser tocada em seu casamento.
14. Fishtail
Até o momento que escrevi esse track-by-track, Fishtail é a minha obsessão do álbum. Ela pode ter duas interpretações de narrativa, aqui podemos interpretar como alguém do passado amoroso de Lana Del Rey que não se importava muito com ela assim e que a quisesse por alguma razão a ver triste, ou, podemos interpretar (a forma que eu mais gosto) como uma referência ao seu relacionamento com sua mãe durante a sua infância, já que fishtail é um tipo de trança feita nos cabelos e o ato de trançar o cabelo de alguém é também demonstrar afeto, mas que com o passar do tempo, Lana foi percebendo que aquela pessoa a quem ela viu com bons olhos foi mudando com a mesma ao ponto de a querer ver triste.
15. Peppers
Apesar das referências com o nome da atriz Angelina Jolie e fazer referência a Angelina de Tommy Genesis, Peppers, é para a Lana a forma dela demonstrar como ela estava apaixonada durante esse período de sua vida, mas especificamente durante o período da pandemia, já que a mesma cita na música que seu namorado testou positivo para COVID, mas para ela não importa essas coisas, pois como a mesma disse, ela está apaixonada.
16. Taco Truck x VB
E o álbum se encerra com a faixa que pode ser considera a versão suja, pesada, original de Venice Bitch do quinto álbum de estúdio da Lana, Norman Fucking Rockwell (2019), e como a faixa sugere, vemos uma outra faceta daquele relacionamento apresentado em Venice Bitch acrescentando mais camadas a esse relacionamento, demonstrando como a Lana se sentia.
Conclusão:
Escutar Did You Know That There's a Tunnel Under Ocean Blvd com certeza é uma viagem mergulhada em um mar de emoções, começando com a ternura mas com profundidade das primeiras faixas até a metade do álbum, onde Kintusi marca o início de uma carga mais dramática sobre a vida da Lana que se encerra em Grandfather... e a partir de Let the light in, Lana foca mais nas questões de experiência dos relacionamentos que a mesma teve até a sua última faixa.

Excelente análise! Aliás, quanto mais se conhece o universo de Lana, mas se percebe a grande influência poética e literária. As músicas dela sempre são profundas e sua análise está excelente. Te amo vida e amo a diva, Lana!
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